domingo, 24 de julho de 2011

JUDEUS , JESUS E O NAZISMO

turning-pages.jpg
Sobre os Judeus, Jesus e o Nazismo PDF Imprimir E-mail
Um Novo Pensamento  
   
Qui, 26 de Agosto de 2010 01:19
Vim responder aqui a uma questão que me foi proposta por um aluno: Se os Judeus tiveram uma parcela de culpa na morte de Cristo, a perseguição nazista a eles não pode ser considerada um castigo?

Primeiramente, a pergunta começa com uma hipótese que, salvo as considerações pela diferença entre culpa e responsabilidade, de viés estritamente jurídico e filosófico (sendo que da perspectiva jurídica essa "culpa" é, na verdade, dolo), é bem vinda por sua humildade. Considerando que se diz Cristo, e não Jesus, a pergunta assume a prerrogativa cristã de que Jesus foi o Messiah esperado pelos judeus; isso é importante porque a pergunta parece norteada por esse pressuposto.
Os textos neotestamentários parecem demonstrar que houve judeus, da casta sacerdotal, além de Judas (o traidor) e de pessoas do povo, que participaram ativamente ao expressar seu desejo de ver punido ou morto o nazareno, como se dizia.
Enfim, uma vez que não se considera historicamente que os nazistas fossem maioria cristã cerrando fileiras em vingança da morte do Cristo, entendo que a pergunta tem como válida a hipótese da existência de um vingador divino.


Sintetizo, então as hipóteses que embasam a pergunta:

1 - Judeus e romanos foram corresponsáveis pela morte de Jesus
2 - Deus existe
3 - Jesus era o Cristo - o Messiah esperado pelo povo judeu
4 - Deus pode eventualmente castigar aos homens
5 - Deus pode usar alguns como instrumento de seu castigo a outros
6 - Deus pode ter usado os nazistas como instrumentos de sua justiça.

A pergunta, como colocada, parece pedir concordância prévia com as 5 primeiras hipóteses implícitas - o que não sou capaz de fazer. Posso, porém, admiti-las apenas como hipóteses, e não como fundamentadas em fatos. A primeira delas não merece discussão, já que os textos dos evangelhos são explícitos quanto a isso; podemos então considerar, de acordo com esses textos, a hipótese historicamente válida. As demais, no sentido estrito de História, não tem prerrogativa fatual.
Após todas estas considerações, parece inválido, uma vez adotado por mim esse modo de considerar a pergunta, responder à questão. A pergunta pode ser colocada - é logicamente viável - mas a resposta parece, após estas considerações, sem grande valor. Mas não é totalmente inválida se considerarmos o sentido do termo hipótese, e metodologicamente admito válidas essas hipóteses para poder, enfim, tentar uma resposta.

O Nazismo foi aplicado por Hitler para atender às suas ambições por poder, e seu carisma contagiou sedutoramente as massas. Quem não quer ouvir-se dito superior? Poucos. Outra coisa foi que o judeu serviu muito bem de bode expiatório para o inferno econômico em que o povo alemão se encontrava: o judeu era um "outro", o diferente, o estrangeiro, e principalmente o banqueiro. Como pode, então, ser admitido que "o outro", "que não é como nós, da raça pura e superior", usurpe nossas riquezas? Aos fornos com eles! E assim se constrói o início do Holocausto.
As ideias eugênicas são de uma ignorância biológica de tal tamanho que chega à beira do imensurável. Isso não é um pensamento meu, tratam-se de fatos biológicos verificáveis. Além do mais, se Deus aplicasse uma ideia falsa para castigar alguém, não seria estranho?
Tudo bem, essa pergunta não tem tanta força, mas propomos outra ainda: essa pergunta não pode soar propensa a anistiar os nazistas em seus crimes contra a humanidade? Pois se eles foram instrumentos de Deus, por que esse mesmo que os empregou deveria castigá-los (aos nazistas)? E quem castigará os castigadores dos nazistas? Parece um ciclo sem fim, de injustiças para castigar injustiças para castigar injustiças e assim por diante.
Mais uma pergunta pode ser feita: uma vez que os textos do velho e do novo testamentos são explícitos ao dizer que Deus desejaria a morte de seu filho como sacrifício vicário (em substituição) pelos homens, assim como os animais pelos homens eram sacrificados, sendo este o sacrifício supremo que tornaria desnecessário qualquer outro no futuro, por que então ele, que desejou e aceitou a morte de seu filho, empregando os judeus e os romanos como meio, iria depois castigar os de que ele mesmo se serviu como meio?

Por esses argumentos (e lembro que somente pude responder à pergunta considerando hipoteticamente válidas as implicações dela), a ideia de castigo divino aos judeus por intermédio de Hitler e seus nazistas não parece se sustentar.



 (NOTA DO BLOG ) ALGUÉM AÍ SUGERE OUTRO MOTIVO PARA TANTOS JUDEUS TEREM PADECIDO NAS MÃOS DE HITLER SENÃO  CULPA PELA MORTE DE CRISTO ?




AQUI SE FAZ AQUI SE PAGA


DENTE POR DENTE , OLHO POR OLHO




NÃO HÁ CRIME SEM CASTIGO






QUEM MATOU JESUS , SEGUNDO ESPIRITISMO

Quem Matou Jesus?

 Anízio Fernandes de Moraes
Hoje, 06/07/2004 (d.C.) começo, com muito atraso, a responder as questões formuladas pelo jovem Petrick em 12/05/2004 (d.C.). As dúvidas de Petrick são as dúvidas da humanidade, porque o homem Jesus, pela sua importância, dividiu a história da humanidade em duas épocas: antes de Cristo (a. C.) e depois de Cristo (d. C.). A figura de Jesus encantou filósofos, cientistas, historiadores e artistas. A sua bondade e humildade levou a paz, o alívio, a cura a milhões de pessoas. Porém, com tudo o que foi dito a seu respeito, ele continua a ser um grande mistério.
O que sabemos sobre Jesus vem dos Evangelhos. A veracidade dos textos são contestadas por historiadores e teólogos. Há grande número de evangelhos, mas apenas quatro são aceitos por todas as igrejas cristãs: os chamados "canônicos" (de acordo com a regra) atribuídos a Marcos, Mateus, Lucas e João. Os demais foram considerados "apócrifos" (não autênticos). O Evangelho mais antigo, o de Marcos, foi redigido entre 66 e 68 d.C.. Os de Mateus e Lucas na década de 80 d.C.. Entre 90 e 110 d.C. foi concluído o de João. Por este motivo os evangelhos não são totalmente confiáveis, pois suas composições foram relativamente tardias, ou seja, escritas várias décadas após a morte de Jesus. Os Evangelhos de Marcos, Mateus e Lucas são muito semelhantes (possuem 330 versículos em comum), o que nos leva a pensar que mantiveram algum contato na elaboração dos evangelhos. Por isso são chamados de "sinóticos" (num rápido olhar se vê todas as partes do conjunto).
Tudo o que se sabe até hoje sobre Jesus está fundamentado em pesquisas científicas, fruto da análise de historiadores e cientistas e no estudo dos evangelhos e documento afins.
I - A época em que Jesus viveu
Para respondermos às questões de Petrick é necessário que conheçamos a época em que Jesus viveu, ou seja, estudar o ambiente político, social e religioso. Como sabemos, a humanidade vive ao sabor das alternâncias dessas três forças, que condicionam o comportamento e determinam direitos e obrigações.
Vamos comentar rapidamente alguns aspectos sobre o surgimento da nação judaica, para que possamos entender os aspectos psicológicos que norteiam o povo palestino, canalizados para um fanatismo religioso, no qual se identificam como o povo eleito de Deus.
Na época em que Jesus viveu, há dois mil anos, os territórios que correspondem hoje a Israel e à Palestina se encontravam sob o domínio romano. Esta região, ainda hoje, é palco de graves conflitos envolvendo judeus e palestinos, motivados por questões políticas e religiosas, mais políticas do que religiosas. Antes disso, desde o século 6 a.C., a região fora conquistada sucessivamente por babilônios, persas e gregos. Roma consolidou sua ocupação em 63 a . C.
A história da nação Israel se iniciou com Abraão, o Patriarca, que conversava com Deus e recebeu Dele a missão de conduzir o povo hebreu para Canaã (região da Palestina e da Fenícia), local onde seria constituída uma grande nação.
Abraão era homem de muita fé. A suprema prova da fé de Abraão ocorreu quando, em obediência às instruções de Deus, construiu um altar e preparou-se para oferecer Isaque, seu filho, como sacrifício queimado. No último instante Deus interveio e ofereceu um carneiro como substituto de Isaque.
Israel (Perseverador com Deus). Nome que Deus deu a Jacó quando este tinha cerca de 97 anos. Israel se consolidou como nação após ter o povo israelita se libertado da escravidão do Egito e ter se fixado na terra prometida. "Assim, libertado legalmente do Egito, Israel tornou-se propriedade exclusiva de Jeová. "Somente a vós vos conheci dentre todas as famílias do solo". (Êx 19:5,6). Deus então achou apropriado, contudo, lidar com eles, não estritamente como sociedade patriarcal, mas sim como a nação de Israel, que Ele (Deus) criou, dando-lhe um governo teocrático alicerçado no pacto da Lei como constituição. (Estudo Perspicaz das Escrituras, pg. 450)
Israel era uma nação teocrática, mesmo porque, segundo a Bíblia, o seu governo fora determinado por Deus. Portanto, politicamente falando, os direitos e deveres dos cidadãos eram impostos por pessoas que se achavam investidas de poderes divinos. Essa característica do poder, envolvida por profundo fanatismo religioso, impunha ao povo um regime austero e intransigente. (As análises têm por base a Bíblia)
Como já relatamos no início, a região da Palestina estava ocupada pelo império romano desde 67 a. C.. Assim, Israel tinha um governo teocrático que era subordinado ao imperador romano.
II - Atitudes de Jesus que o levaram a julgamento
Alguém matou Jesus. A morte de Jesus não foi um acidente. Porém, ninguém publicou algo que relatasse o processo e o concluísse trazendo provas irrefutáveis sobre o autor ou autores do crime. Os cristãos não acompanharam o julgamento, pois já tinham fugido quando Jesus foi capturado. A elite sacerdotal ou o poder romano nada registrou, porque Jesus era insignificante para eles. Quem realmente matou Jesus: a elite judaica; os romanos; os judeus, ou o próprio Jesus?
Segundo os Evangelhos, Jesus foi levado diante do Sinédrio, na presença do Sumo Sacerdote Caifás, onde os escribas e anciãos estavam reunidos. O chefe dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um falso testemunho contra Jesus, a fim de matá-lo. Apresentaram-se duas falsas testemunhas que afirmaram ter Ele dito: "Posso destruir o Templo de Deus e edificá-lo depois de três dias" e por ter afirmado que era Cristo, filho de Deus (Mt 26: 57-68), faltas consideradas graves e por isso foi levado para ser julgado por Pôncio Pilatos,
a) A elite judaica. Jesus foi levado a Pilatos, que era o governador romano da Judeia durante o ministério terrestre de Jesus, por ordem das autoridades judaicas para ser julgado sob a acusação de que era subversivo, que defendia o não pagamento de impostos, que iria destruir o templo e que dizia ser rei, rivalizando assim com César. Por quê? ® A atitude de Jesus não foi exatamente pacífica. O episódio está nos Evangelhos. "Numa visita ao Templo de Jerusalém, o coração religioso da Judeia, Jesus expulsa os vendedores de animais e comerciantes instalados nos arredores. "Não faças da casa de meu Pai um mercado!" (Mt 21:12, 13)
Não foi um simples "rapa" nos camelôs. Os comerciantes faziam parte da estrutura de arrecadação do Templo. Os animais eram vendidos a preços exorbitantes. Os cambistas trocavam moedas que os visitantes traziam pela única aceita pelo Templo, o "shekel". Esse dinheiro junto com os impostos cobrados de todos os judeus adultos, faziam do Templo mais do que uma igreja. Na prática era o Banco Central da Judeia, empregando em torno de 18000 homens, que administravam e guardavam imensa fortuna. Esta situação contrariava tudo o que Jesus pregava: igualdade, fraternidade, caridade, etc.
Jerusalém festejava a Páscoa (aniversário da fuga do Egito liderada por Moisés, 1400 anos antes). O Templo recebia entre 200 e 300 mil visitantes de toda a Judeia. Jesus é preso e a acusação (falsa) é de que dissera que destruiria o Templo e o condenaram à morte. Mas o direito de aplicar a pena de morte era exclusividade dos romanos. Diante disso, os chefes religiosos entregaram Jesus ao poder romano.
Os líderes judeus pediam a condenação de Jesus e sua execução. Pilatos, no entanto, não vê crime nos atos de Jesus. Ao saber que Jesus era da Galiléia, enviou-o a Herodes Antipas, judeu, governante distrital (tetrarca) da Galiléia, que era inimigo de Pilatos. Herodes, que era uma pessoa devassa e cruel (Estudo Perspicaz das Escrituras), apenas zombou de Jesus, pedindo-lhe que fizesse milagres, o que não ocorreu. Revestindo Jesus de uma túnica branca, envia-o de volta a Pilatos.
Desejava Pilatos livrar Jesus, pois o julgava inocente. Interroga-o novamente, porém nada encontra para condená-lo e oferece Barrabás, um criminoso, para ser crucificado em seu lugar. O povo pede que soltem o bandido.
Diante da situação incontrolável, Pilatos mandou levar Jesus a um pátio e entregou-o a uma companhia de soldados que o submeteram a terríveis flagelos.
Quem eram os líderes judeus:
"Os "chefes dos sacerdotes" e os "escribas", com freqüência acompanhados dos "anciãos", formam uma tríade sempre ao encalço de Jesus. Quem são essas figuras? O sumo sacerdote, no período da ocupação romana, era nomeado pelo governador, que o escolhia entre as famílias judias dominantes. Caifás, então, era o Sumo Sacerdote, genro de Anás, cuja influência aparentemente ainda se fazia sentir. Os "chefes dos sacerdotes", segundo o padre Raymond Brown (vide bibliografia), eram provavelmente antigos sumos sacerdotes, ao lado de preeminentes membros de famílias entre as quais sumos sacerdotes recentes haviam sido recrutados, e algumas pessoas a quem tinham sido confiadas especiais missões sacerdotais. Os "anciãos" seriam patriarcas das famílias mais ricas e distintas, e os escribas, pessoas que se destacavam pela "inteligência e cultura", entre as quais se encontrariam os "fariseus". Grosso modo, esses três grupos constituiriam o Sinédrio, que no total contava 71 membros." (Revista "Veja"- 04/95)
Caifás: José Caifás era sumo sacerdote durante o ministério terrestre de Jesus. (Lu 3:2). Era genro do sumo sacerdote Anás, seu antecessor. (Jo 18:13). Caifás era saduceu. (At 5:17).
Caifás era líder de um complô para eliminar Jesus. Profetizou que Jesus morreria em breve pela nação, e empenhou-se de todo o coração neste sentido. (Jo 11:49-53: 18:12-14). No julgamento de Jesus perante o Sinédrio, Caifás rasgou a roupa e disse: "Ele blasfemou!" (Mt 26:65), referindo-se ao fato de Jesus reivindicar a dignidade divina. Quando Jesus estava perante Pilatos, Caifás estava sem dúvida presente, clamando: "Para a estaca com ele! Para a estaca com ele! (Jo 19:6, 11); ele foi um dos que pediram que Barrabás fosse liberto, ao invés de Jesus (Mt 27:20, 21; Mr 15:11); estava ali, bradando: "Não temos rei senão César" (Jo 19:15); também estava protestando contra o letreiro afixado sobra a cabeça de Jesus: "O Rei dos Judeus" (Jo 19:21).
Anás: Designado sumo sacerdote por volta de 6 ou 7 EC por Quirino, governador romano da Síria até cerca de 15 EC. (Lu 2:2). Anás era, por conseguinte, sumo sacerdote quando Jesus, aos 12 anos deixou admirados os instrutores rabínicos no templo. (Lu 2:42-49). Quando Jesus foi preso, ele foi primeiro levado a Anás, para interrogatório, e então levado a Caifás, para julgamento. (Jo 18:13). O nome de Anás encabeça a lista dos principais oponentes dos apóstolos de Jesus Cristo. (At 4:6).
Anás era um homem rico, e uma de suas principais fontes de renda era a venda de sacrifícios no templo. Por este fato, tinha razões para matar Jesus, que por duas vezes purificou o templo, que eles tinham transformado num "covil de salteadores". (Jo 2:13-16; Mt 21:12, 13; Mr 11:15-17; Lu 19:45, 46). Um motivo adicional para o ódio que Anás tinha a Jesus e seus apóstolos, era o ensino sobre a ressurreição, cuja prova era a ressurreição de Lázaro, porque sendo Anás saduceu ele não cria na ressurreição. ("Estudo Perspicaz das Escrituras")
b) Os romanos: Pilatos, como um líder romano, era também responsável pela segurança do império. Ocorriam constantes rebeliões, que desgastavam a tropa. Roma, representada por Pôncio Pilatos, na região da Judeia, governava em conluio com as elites locais. Assim, tanto os sacerdotes (liderados por Caifás, o supremo sacerdote) quanto Herodes (judeu), governante distrital da Galiléia (designado pelo senado romano) podiam coletar impostos para si, desde que mantivessem o povo satisfeito com os romanos e dessem ao César parte da arrecadação. A corrupção é um mal muito antigo.
Diante deste quadro, Pilatos não poderia negar um pedido dos judeus (matar Jesus). Não importava se inocente ou culpado. Seu dever era evitar atritos com os líderes religiosos, garantindo o fluxo de impostos para si e para o império.
Por quê Pôncio Pilatos aparece na Bíblia preocupado em defender a inocência de Jesus? Na verdade, o que estava em jogo era a absolvição de Pilatos, afirma o historiador Edgar Leite, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
c) O povo judeu: A Bíblia narra que Pilatos propõe que os judeus escolham em soltar Jesus ou um bandido, Barrabás. A multidão escolhe o fora-da-lei. Diante disso, qualquer leitor é levado a aceitar o povo judeu como responsável pela morte de Jesus. Conforme diz o historiador Pedro Paulo Funari, da Unicamp, este fato é inverossímil. "Não existe nenhum outro caso conhecido em que um procurador romano fosse ouvir o que a população achava. Ainda mais se esse povo nem romano era". O que se tem como certo é a participação ativa da elite judaica, representada pelas autoridades locais e os sacerdotes, tendo à frente o sumo sacerdote Caifás.
Por quê condenar o povo Judeu?
O anti-semitismo é muito mais antigo que o cristianismo. A nação judaica foi construída através de longos e difíceis sacrifícios. Israel, cuja capital é Jerusalém, se encontra no Oriente Próximo, Ásia. Idioma: hebraico e o árabe. Israel é um país resultante da partilha da antiga Palestina (Jerusalém estava dividida até 1967 entre Israel e a Jordânia). Israel mantém constantes atritos com seus vizinhos árabes.
Falar sobre o povo judeu é um interessante tema para uma próxima oportunidade.
As acusações contra o povo judeu, que se espalham pelo mundo ao longo dos tempos, num nefando processo chamado anti-semitismo, por motivos que não importam no presente trabalho, teria como um dos fatores o nome de Judas. O nome "Judas" estaria etimologicamente ligado a "judeu". Seu gosto pelo dinheiro (30 moedas) foi generalizado para todo um povo. Santo Agostinho disse: "... enquanto Pedro representa a igreja, Judas representa os judeus..."
d) Jesus: A possibilidade de Jesus ter provocado sua morte não pode ser descartada. A investida violenta contra os vendilhões do templo deu inicio a grande revolta entre os participantes, bem como atingiu frontalmente as lideranças políticas e religiosas, envolvidas com a negociata. A sua presença era um perigo constante. Além do mais, João Batista tinha sido executado por Herodes, na Galiléia, por motivos banais. Jesus, com certeza, tinha consciência do perigo que corria. No entanto, sua morte traria grande impacto em prol da causa que sustentava. Isto não quer dizer que Jesus premeditou este desfecho.
III - O julgamento
Todo julgamento, em princípio, deve seguir uma máxima do direito que diz: "Não há culpa sem prova e nem crime sem cominação legal". De acordo com a análise dos atos praticados por Jesus, verificamos que ocorreram duas atitudes consideradas graves pelas autoridades judaicas, passíveis de punição: a primeira foi a expulsão dos "camelôs" do Templo e a segunda a acusação de blasfêmia por se declarar filho de Deus.
A expulsão dos mercadores do Templo, à luz da moral, não constitui uma falta grave, pelo contrário, visou preservar o respeito à casa de Deus. O fato de Jesus se dizer filho de Deus não é uma blasfêmia, pois Abraão e os demais patriarcas e profetas consideravam Deus como o supremo Senhor e, conforme diz a Bíblia, Deus afirmava ser os judeus o seu povo eleito, e Jesus era Judeu.
Disto se conclui que:
A condenação de Jesus foi uma farsa perpetrada com o objetivo de acobertar os atos imorais que vinham sendo praticados pela elite judaica (sacerdotes liderados por Anás, Caifás, escribas e anciãos) mancomunados com autoridades romanas, dentre as quais destacamos Pilatos e Herodes (que era judeu).
IV - A condenação
Por qual motivo Jesus foi condenado?
Jesus foi submetido a dois julgamentos: judeu e romano. O julgamento judeu teria sido uma investigação preliminar, não um julgamento. Outros afirmam que coube aos romanos apenas executar uma sentença judia. Segundo diálogo que João presenciou entre Pilatos (que não encontrava razões legais ou morais para condenar Jesus) e as autoridades judaicas, Pilatos diz: "Tomai-o vós mesmos e o julgai conforme a vossa lei". Os judeus responderam: "Não nos é permitido condenar ninguém à morte." Percebe-se através desse diálogo que a intenção das autoridades judaicas era matar Jesus e não simplesmente puni-lo. Surgiu, então, um problema de competência entre a justiça romana e a judaica. Pilatos diante do impasse, entregou Jesus aos soldados para que o castigassem e, em seguida, Jesus foi levado para ser crucificado.
Conclusão
Podemos agora, ao final desta análise, declinar nomes de supostos culpados pela morte de Jesus, sob o meu humilde ponto de vista, embora apoiado em fontes duvidosas, o que deixa um enorme campo para discussões.
Questionamento do Petrick:
1. De quem é a culpa pela crucificação: do povo ou de Pilatos?
Povo: Conforme constatamos através de documentos e relatos que chegaram até nós, o povo judeu aguardava, com ansiedade, um líder que os tirasse da condição de penúria e sofrimento em que viviam, cujos culpados eram os líderes judeus. O povo, em razão de sua humildade e miséria, não tinha expressão nenhuma que sensibilizasse as autoridades romanas, a ponto de contrariar um desejo de Pilatos (libertação de Jesus). Por outro lado, é impossível aceitar que um povo se manifeste contra um homem, que era judeu, e se empenhava em ajudar os pobres, enfermos e oprimidos, a ponto de pedir sua crucificação.
Pilatos: Pilatos teve uma participação muito grande na condenação de Jesus. Por quê?
Pilatos realmente não encontrava culpa em Jesus, porque Ele não havia cometido nada que violasse os princípios da lei vigente naquela época. (vide o princípio legal: "... não há culpa sem prova e nem crime sem cominação legal ...". No entanto, Pilatos não podia assumir sozinho a condenação e a transferiu para as autoridades judaicas: "Levai-O e aplicai a vossa lei". Este comportamento, aparentemente correto e justo, estava encoberto por dois importante motivos:
a) Era do interesse de Pilatos que Jesus fosse eliminado porque a sua presença atrapalhava a "negociata" do Templo (vide letra "a");
b) O povo judaico não aceitava o jugo romano e, portanto, ocorriam várias rebeliões contra as tropas romanas. Em razão disso, Pilatos não poderia contrariar as autoridades judaicas que pediam a morte de Jesus, para não provocar um descontentamento. Na verdade, Pilatos, lavando as mãos, salvou-se a si mesmo.
Pilatos, pela seu comportamento, a meu ver, seria enquadrado como co-autor da morte de Jesus.
2. Os soldados que crucificaram Jesus, embora cumprindo ordens, têm parcela de culpa?
Não têm culpa pela condenação, mas sim pela execução, levando-se em conta a necessidade de consumar o ato em razão de sua condição profissional. Vejamos em "O Livro dos Espíritos", Capítulo VI, item IV - Assassínio.
Questão 746: O assassínio é um crime aos olhos de Deus?
Sim, um grande crime, pois aquele que tira a vida de um semelhante interrompe uma vida de expiação ou de missão, e nisso está o mal.
Questão 747: Há sempre no assassínio o mesmo grau de culpabilidade?
Já o dissemos: Deus é justo e julga mais a intenção do que o fato.
Questão 749: O homem é culpado pelos assassínios que comete na guerra?
Não, quando é constrangido pela força; mas é responsável pelas crueldades que comete. Assim, também o seu sentimento de humanidade será levado em conta.
Devemos entender que "cada um tem o que merece, de acordo com suas obras" e o que conta nesses casos é a intenção de cada um.
3. Todos os que colaboraram para a sua condenação serão perdoados?
Perdoados por Deus ou pelos homens? Por Deus, com certeza. Pelos homens, não sei.
Cada um receberá o que merecer, de acordo com o seu grau de comprometimento. De uma coisa temos certeza, Deus é amor e não abandona ninguém. Todos alcançaremos, um dia, após vencermos nossas imperfeições, a condição de Espíritos Puros.
4. Até onde teria chegado o império de Jesus se não tivesse sido morto? Teria se tornado um grande rei ou imperador?
Acredito que a morte e a ressurreição de Jesus foram necessárias, pelos seguintes motivos:
a) Jesus revelou à humanidade o amor (Segunda Revelação).Portanto, as armas que Jesus utilizou para derrotar seus inimigos eram a paz, a solidariedade, a fraternidade, virtudes desconhecidas e ignoradas na época, cujo lema era: "Quem com ferro fere será ferido". Jamais Jesus derrotaria as grandes potências e impérios, constituídos de pessoas ainda no estágio da barbárie, com demonstração de amor e fraternidade.
b) A morte e a ressurreição de Jesus tornou-o um líder carismático e revelou que Deus existe e que a vida não se resume só ao plano material. A Doutrina Espírita nos revela a grandeza da obra de Deus e nos apresenta a maravilha de sua criação, da qual, felizmente, fazemos parte.
Se Jesus não tivesse sido morto, com certeza teria sido o maior rei ou imperador de todos os tempos, embora a humanidade fosse imperfeita. A sua gestão, embora divina, não faria milagres, pois milagre não existe.

QUEM MATOU JESUS, SEGUNDO ROSA CRUZ

 ,Quem Matou Jesus?

A Responsabilidade do Povo Judeu na Morte de Jesus

Lembram-se da lenda do “Judeu Errante”? A versão mais conhecida nasceu por volta do século XVII. Conta a história de um judeu que terá escarnecido de Jesus a caminho do Gólgota. O Mestre ter-lhe-à dito: “Hás-de caminhar até eu voltar”. E assim, ao longo dos séculos, surgiram relatos acerca do pobre judeu supliciado a carregar eternamente o peso da condenação.

A apologética clássica contra o judaísmo atinge o auge na época de ouro da patrística (séculos IV e V), desenvolvendo temas já esboçados pelos polemistas do II e III séculos.

Histórias como esta, motivada pelo sentimento pró-romano, contribuíram para elaborar uma imagem de um povo decadente e deicida, que ainda em 1965 era acusado de ter pressionado as autoridades da época a crucificarem Jesus.

Tem importância histórica o facto de o cristianismo ter começado como seita do judaísmo. Por isso, vamos fazer uma leitura cuidadosa de alguns passos do Novo Testamento e de dois ou três autores incluídos no grupo chamado dos “primeiros pais católicos” (180-250 d.C.), usando os instrumentos da crítica linguística e histórica.

Utilizaremos também o método dos exegetas: em vez de uma leitura “vertical”, livro a livro, vamos recortar cada um dos versículos dos quatro evangelhos e ordená-los lado a lado.

Com esta ordenação dos textos podemos fazer uma leitura “horizontal”, como se fossem quatro reportagens de diferentes jornalistas, comparando melhor todos os pormenores, as omissões, contradições, interpolações, etc.

Eis os factos mais relevantes:
Jesus foi preso no Jardim das Oliveiras, já de noite. Algum tempo depois estava na presença de Anás. Foi remetido para o Sinédrio, sob a presidência de Caifás.

É extraditado para Pilatos. Por ser galileu e pertencer à jurisdição de Herodes, Pilatos envia-o ao Tetrarca da Galileia, Herodes Antipas. É restituído a Pilatos. Desenrola-se uma sucessão de acontecimentos que culmina com a crucificação.

1. A Prisão

Estando Jesus com os discípulos, apareceu “uma grande tropa de gente”, diz Mc 14,43. Em Mt 26,47 afirma-se que havia “anciãos do povo”; Em Lc 22,47.52 conta-se que no acto participaram uma “multidão” e também os “sacerdotes e capitães do Templo”.

E no quarto evangelho relata-se o mesmo episódio referindo a presença de “um bando de populares e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus”, sendo a prisão executada por um comandante e os judeus, como se lê em Jo.18,12.

Os três primeiros evangelhos apenas se referem à presença de judeus no acto da prisão. Só João afirma ter havido participação conjunta de militares romanos e de judeus na detenção de Jesus.

A prisão, que foi o primeiro dos procedimentos que levariam à condenação de Jesus pelo governador romano fez-se com a presença de uma coorte romana e do seu comandante (Jo,18,12). Jesus ficou sob custódia das autoridades judias.

2. A Sessão Nocturna do Sinédrio

Depois da detenção, Jesus passou a noite na presença dos que o detiveram. Só depois de amanhecer foi conduzido ao Sinédrio. É o que está em Lc 22,63-66. João afirma que foi levado a casa de Anás, que era sogro de Caifás, o Sumo-Sacerdote daquele ano (18,13).

Só Mateus e Marcos concordam que Jesus tenha passado a noite diante do Conselho (Bouli), isto é, o Sinédrio. E aí decorre a suposta condenação de Jesus (Mc 14,64; Mt 26,65-66).

Admite-se que, segundo o costume judeu da época, o tribunal não podia reunir fora da dependência do Templo para julgar ilícitos penais. Nem o podia fazer à noite. Mas não havia preceito algum que proibisse uma reunião consultiva, um synhedrion, para um inquérito preliminar destinado a indiciar um réu perante o tribunal romano.

É o que se pode deduzir de Mc 15,: “logo pela manhã, tendo conselho os príncipes...”. O evangelista usa a expressão sumbouliom hetoimasantes. A palavra sumboulion, pouco frequente nos evangelhos, equivale a consilium, usada na Vulgata (consilium facientes). Encerra a ideia de “estudo de um plano de acção”.

Se o Sinédrio tivesse reunido como um tribunal, diz o jurista Haim Cohn, Marcos deveria ter usado as palavras krisis ou krima (julgamento), como em Lc 24,20 ou Mt 7,2. Contudo, em qualquer dos casos, não se pode concluir, dogmaticamente, se o sentido é apenas o de “citação para julgamento” ou “sentença dada pelo tribunal”.

Nesta sessão Jesus foi interrogado directamente pelo Sumo Sacerdote. Em Mc 14,61 temos a pergunta “És o Cristo, o filho do Deus bendito?”, seguida da resposta “Eu o sou”. E em Mt 26,63 temos um pergunta muito mais solene: “Eu te conjuro... que nos digas se és o Cristo, filho de Deus?” e uma resposta diferente: “Tu o disseste”. E acrescentou: “...vereis o filho do homem assentado à direita do Poder”.

As expressões “filho de Deus bendito” e “filho de Deus” não são hebreias. São interpolações que se fizeram posteriormente e datam duma época em que a origem divina de Jesus já havia sido introduzida no Credo.

Diz-se que o sumo sacerdote rasgou as vestes por causa da afirmação “...vereis o filho do homem assentado à direita do Poder”, que seria uma blasfémia ao contrariar o principio fundamental do monoteísmo judaico que não admite outro ser divino além de Deus.

O acto de rasgar das vestes decorre de uma norma da lei que se aplica a todos os membros do Sinédrio e não apenas ao Sumo Sacerdote. Por que não o fizerem todos os presentes?

E, além disso, tal acto devia resultar de uma profanação, como seria o pronunciar o único e sagrado nome de Deus, composto pelas letras YHWH (Javé). (Lev 24,15-16). Mas não se vislumbra nas palavras que os evangelistas registaram qualquer indício de blasfêmia.

Jesus referiu-se unicamente ao Poder (ou Poderoso), qualificativo que substitui o nome de Javé, que os judeus nunca pronunciam.

Não havendo injúria nem profanação, o comportamento do Sumo Sacerdote é desajustado e muito improvável, sabendo-se que os fariseus, que tinham a reputação de um legalismo rigoroso e de meticulosa exactidão formalística na observância de cada preceito legal, dificilmente agiriam contrariamente às prescrições em vigor.

O acto do Sumo Sacerdote nestas condições, não resulta do cumprimento formal de um preceito ritualístico, mas, quando muito, como sinal de aflição perante impossibilidade de ajudar Jesus a evitar o doloroso destino, no entender do jurista Haim Cohn.

Se houvesse crime de blasfémia, e se o direito de pronunciar uma condenação à pena capital não lhe tivesse sido retirado pelos romanos, o Sinédrio teria deliberado de acordo com as normas jurídicas contidas na Mishná, que prescrevem quatro maneira de a executar: apedrejamento; fogo, decapitação e estrangulamento. (Paul Winter, pág. 153).

Assim sendo, a palavra blasfémia não deve ser entendida no sentido técnico do Direito Judaico no contexto em que é usada, mas como ultraje (P.72, Paul Winter). O Sinédrio não proferiu nenhuma sentença, como se pode depreender da perícope de Lc 22,67-71, e nos At 13,27-38.

Os evangelistas, para os seus objectivos apologéticos e políticos, desviaram a culpa da morte de Jesus dos romanos para os judeus.

3. Pôncio Pilatos

É pouco provável que a extradição de Jesus para Pilatos ocorresse àquela hora da madrugada, amenos que ele já estivesse preparado para o receber. No Praetorium, Pilatos não lhe encontra “crime algum” e julga-se incompetente ratione materiae para o julgar.

Os sacerdotes insistem: “ele subleva o povo”. Astutamente habilidoso, foge novamente à sua responsabilidade e declara-se outra vez incompetente, mas agora ratione loci, atribuindo a Herodes a jurisdição criminal sobre Jesus.

Mas Herodes, ao cabo de frustrado interrogatório, devolve o réu a Pilatos, vestido com uma túnica branca, como os tribunos militares e os candidatos às eleições.

4. O Privilegium Paschale

Dizem os evangelistas que Pilatos lançou mão de outro recurso: pôr em liberdade um prisioneiro, usando o direito de indulto. Pediu ao povo que escolhesse entre Jesus e Barrabás.

Ao povo? Não, à populaça. O povo está para a populaça como o vinho para a zurrapa. O direito de graça remonta de facto aos romanos — e não aos judeus como se diz em Jo 18,39.

Pertencia inicialmente ao povo, reunido nos comícios, em cúrias, depois em tribos ou centúrias. Durante o Império, esse poder foi concentrado nas mãos do Imperador. Depois, foi transmitido aos Chefes de Estado.

E a maioria deles tem-se mostrado mais clemente do que o seriam as multidões, sempre prontas a correr para assistir, fascinadas, ao espectáculo do sofrimento e da morte — dos outros, naturalmente. (Paul Winter, pág. 187-203).

O relato dos evangelistas não encontram apoio nos dados históricos conhecidos. Não se conhece nenhum costume de conceder indulto a prisioneiro na véspera da Páscoa.

Havia, isso sim, uma norma, a provocatio ad populum, o “apelo ao povo”, determinando que “nenhum magistrado matasse ou açoitasse um cidadão romano, sem ter em conta o apelo ao povo”.

Mas este preceito não se aplicava às sentenças do Imperador — ou quando os réus não eram cidadãos romanos.

E também não se pode explicar por que razão, havendo a possibilidade de o povo escolher a libertação de qualquer prisioneiro (Mc 15,6; Mt 27,15; Lc 23,25; Jo 18,39), se apresentaram só dois prisioneiros, Jesus e Barrabás, sendo certo que havia mais outros dois, pelos menos, que seriam crucificados na mesma ocasião (Paul Winter, pág. 190-191, vd nota 6).

Sabe que Pilatos mandou chacinar multidões durante a construção do Aqueduto do Templo de Jerusalém. No catálogo dos vícios de Pilatos elaborado pelo Rei Agripa e que Filo nos refere constam os seguintes: obstinado, inflexível, tirânico e arrogante.

Com este carácter rude não parece susceptível de se ter deixado pressionar com a gritaria daquela multidão. Este relato pertence ao terreno da apologética.

O que parece evidente, é que a sentença foi proferida segundo a lei romana e foi executada por funcionários romanos.

Nenhum governador romano aceitaria que os judeus interferissem num julgamento por ele dirigido, que executassem uma sentença proferida por tribunal romano, nem sequer que participassem na execução.

Segundo os preceitos hebreus, a pena de morte podia ser aplicada por apedrejamento, queima, decapitação ou estrangulamento e nunca por crucificação (Paul Winter, ob. cit. pág.147-161.) que era um suplício usado pelos egípcios, cartagineses e persas. Na Grécia e em Roma era reservado aos escravos e aos grandes criminosos.

E o facto de Jesus não ter sido enterrado num dos dois cemitérios que se destinavam aos condenados pelo Sinédrio (foi entregue, como sabemos, a José de Arimateia, um vereador de Jerusalém), permite talvez concluir que a sentença foi proferida por um tribunal romano e executada por romanos.

Surge agora a interrogação: por que se fez cair a realidade no esquecimento e se transformaram relatos inexactos em história?

Por isso, podemos aceitar que esta “manifestação popular é historicamente possível, mas, mas a sua que influência sobre alguém, com o temperamento tirânico de Pilatos, pertence ao terreno da apologética”, (P. Winter, ob. cit. pág. 130).

5. A Convergência Ideológica

O mundo de influência helénica estava receptivo à mensagem de Paulo não só em virtude da tradição filosófica, em especial a estóica e a platónica, mas também pela inspiração órfico-pitagórica, mistérica e oriental que vinha da Antiguidade.

O impacto da “nova fé” nas diversas classes sociais do Império Romano ficou a dever-se à circunstância de ela garantir, paradoxalmente, a eliminação dos perigos do messianismo político judeu e, ao mesmo tempo, a conservação da esperança de uma libertação do mundo das misérias físicas.

O conteúdo reivindicativo do messianismo político judeo-cristão primitivo era de tal ordem que o cristianismo paulino só conseguiu vingar depois do ano 70, seguindo um processo de desjudaização e de desescatologização que culminaria na versão final da fé cristã depois da luta contra os gnósticos no segundo século (236).

Esta neutralização ideológica da vocação revolucionária do cristianismo antigo — que ainda se vê na Epístola de Santiago 5,1-6, testemunho da tradição reivindicativa do cristianismo original no início do segundo século (243), — fez-se inicialmente anulando o conceito antigo do verdadeiro Israel.

A inteligente estratégia de Paulo, reinterpretando o conceito tradicional de Israel em Rm 9,6, permitiu fazer a transição para a nova aliança evitando confrontos violentos.

Aliás, o conceito de Novo Testamento tem a sua origem em 2 Cor 3,6 ss, onde Paulo lembra a promessa vetero-testamentária de uma “nova aliança”. É o que vemos nas cartas aos Romanos, Gálatas e Filipenses, com uma “linguagem da justificação, originalmente cunhada para atacar as ideias judaicas sobre a salvação”.

A carta aos Hebreus, que é obra de um autor paulinista da segunda geração, pretende provar que o cristianismo não é a negação do judaísmo mas a superação do mesmo pelo sacrifício de Cristo. E para isso não hesita em desvalorizar os Salmos, os Profetas e o Pentateuco.

O evangelho de Marcos é o mais antigo, contrariamente ao que se pretende sugerir com a ordem canónica dos textos. Marcos escreveu para os gregos, por volta da da época da guerra judaico-romano (cerca de 70 d.C.). É um autor de evidente tonalidade paulina. As palavras supostamente pronunciadas por Jesus em Mc 14,21-24 reflectem, muito possivelmente, a tradição de Paulo ou, pelo menos, a sua influência.

Trata-se de uma interpretação cristã-helenística de Jesus, em que se fundia a figura do soter greco-orientalizante com a figura do Messias judeu, evidenciando a preocupação de nos apresentar um Jesus sub specie historiae e não sub specie theologiae.

Marcos faz uma análise benévola do carácter de Pilatos. E no futuro, quanto mais o Estado romano perseguia os cristãos, mais generosa se tornava a descrição de Pilatos. Quanto se redigiu o Credo Apostólico, no primeiro ou segundo século, o nome de Pilatos já não era mais do que uma simples referência cronológica: “...padeceu sob Pôncio Pilatos”.

A primeira carta de Clemente de Roma aos Coríntios, escrita em 96 d.C., é um dos mais interessantes documentos — e talvez o primeiro dos escritos sub-apostólicos.

Permite ao estudioso verificar a gradual convergência da ideológica entre a Igreja e o Império Romano na doutrina da autoridade, quando se instalou o espírito de acomodação da mensagem cristã às realidades do mundo secular. O prestígio da Igreja entre os Bárbaros veio-lhe mais do seu carácter romano que do seu carácter cristão.

Sem pôr em causa a sinceridade das convicções individuais, do mesmo modo que a fidelidade à missão do cristianismo, o que resultou desta convergência, na Idade Média, é que os políticos viam a religião em termos de política, e os religiosos encaravam a política em termos de salvação. De uma convergência de interesses passou-se para uma convergência de naturezas.

A exortação mais evidente na primeira carta de Clemente aos Coríntios é para fazer o que for bom e agradável a Deus e aos nossos governantes. O que nela vemos é a sacralização dos poderes políticos, sociais e económicos, sendo a obediência, como virtude cristã, considerada em paralelo com a disciplina militar das legiões romanas.

Para finalizar, vamos ver o que nos diz outro autor, um dos Pais da Igreja: Tertuliano de Cartago. Formado em Direito, senhor de uma grande energia, foi um autor turbulento.

Gerador de despotismo e intolerância em épocas posteriores na sua Apologia, escrita em 197, define-se o carácter de lealdade ao Imperador e defensor inquestionável da paz romana transformando um discurso ad romanos imperatores na defesa da ordem ad christianos romanos.

Estava consumado o processo de convergência, iniciado cerca de dois séculos antes quando se desviou a culpa pela morte de Jesus do seu verdadeiro responsável: Pilatos.

6. Conclusão

É a natureza dos evangelhos, que são escritos literários e não biográficos, que torna praticamente impossível determinar a causa da prisão de Jesus e o esclarecer as circunstâncias com ela relacionadas.

De uma coisa temos, porém, a certeza: o cristianismo não admite que se possam castigar inocentes por culpas que não cometeram.

Mas, se por absurdo admitíssemos o princípio de o castigo e da responsabilidade colectivos serem transmissíveis aos descendentes, como na fábula do lobo e do cordeiro, então os responsáveis pela condenação de Jesus seriam os italianos.

Isto, claro, do ponto de vista histórico, que, liberto do conflito com a fé, mostra, diz H. Schlesinger, “como é historicamente inexacta, juridicamente infundada, moralmente lastimável e totalmente insustentável do ponto de vista cristão, a tese da responsabilidade do povo judeu pela morte de Jesus”.

POR QUE JUDEUS NÃO ACREDITAM EM JESUS ?


   
  Judeus não acreditam em Jesus  
    índice
   
     
  Por que os judeus não acreditam em Jesus?
     
  RESPOSTA:
Por séculos os judeus foram perseguidos por sua fé e prática religiosa. Muitos tentaram impor suas idéias e aniquilar o judaísmo. Nem as cruzadas, nem a inquisição implacável, nem os pogroms conseguiram manipular nossas almas cumprindo seu intento.
O judaísmo mantém sua chama sempre viva.
A história comprova: os judeus continuam rejeitando o Cristianismo. Por quê?
Porque somos simplesmente judeus, nascemos e vivemos o judaísmo e temos nossas próprias convicções.
Mas quando judeus são seguidamente questionados sobre esta questão e não-judeus frequentemente perguntam: "Por que os judeus não acreditam em Jesus?" Preparamos alguns argumentos com o objetivo, não de depreciar outras religiões, pois respeitamos a todos e por esta razão não fazemos proselitismo, mas sim apenas para esclarecer a posição judaica.

Por que os judeus não acreditam em Jesus? Porque:
1. Jesus não preencheu as profecias messiânicas
2. Cristianismo contradiz a teologia judaica
3. Jesus não personifica as qualificações pessoais do Messias
4. Versículos bíblicos "referindo-se" a Jesus são traduções incorretas
5. A crença judaica é baseada na revelação nacional
Veja também:
6. Judeus e Gentios
7. Trazendo o Messias



1. JESUS NÃO PREENCHEU AS PROFECIAS MESSIÂNICAS
O que o Messias deveria atingir? A Torá diz que ele:
a - Construirá o terceiro Templo Sagrado (Yechezkel 37:26-28)
b - Levará todos os judeus de volta à Terra de Israel (Yeshayáhu 43:5-6).
c - Introduzirá uma era de paz mundial, e terminará com o ódio, opressão, sofrimento e doenças. Como está escrito: "Nação não erguerá a espada contra nação, nem o homem aprenderá a guerra." (Yeshayáhu 2:4).
d - Divulgará o conhecimento universal sobre o D'us de Israel - unificando toda a raça humana como uma só. Como está escrito: "D'us reinará sobre todo o mundo - naquele dia, D'us será Um e seu nome será Um" (Zecharyá 14:9).
O fato histórico é que Jesus não preencheu nenhuma destas profecias messiânicas.


2. CRISTIANISMO CONTRADIZ A TEOLOGIA JUDAICA
a - D'us em três?
A idéia cristã da trindade quebra D'us em três seres separados: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (mateus 28:19).
Compare isto com o Shemá, a base da crença judaica: "Ouve, ó Israel, o Eterno nosso D'us, o Senhor é UM" (Devarim 6:4). Os judeus declaram a unicidade de D'us todos os dias, escrevendo-a sobre os batentes das portas (Mezuzá), e atando-a à mão e cabeça (Tefilin). Esta declaração da unicidade de D'us são as primeiras palavras que uma criança judia aprende a falar, e as últimas palavras pronunciadas antes de morrer.
Na Lei Judaica, adorar um deus em três partes é considerado idolatria - um dos três pecados cardeais, que o judeu prefere desistir da vida a transgredir. Isto explica porque durante as Inquisições e através da História, os judeus desistiram da vida para não se converterem.

b - Um homem como deus?
Os cristãos acreditam que D'us veio à terra em forma humana, como disse Jesus: "Eu e o Pai somos um" (João 10:30).
Maimônides devota a maior parte do "Guia para os perplexos" a idéia fundamental que D'us é incorpóreo, significando que Ele não assume forma física. D'us é eterno, acima do tempo. É infinito, além do espaço. Não pode nascer, e não pode morrer. Dizer que D'us assume forma humana torna D'us pequeno, diminuindo tanto Sua Unidade como Sua Divindade. Como diz a Torá: "D'us não é um mortal" (Bamidbar 23:19).
O Judaísmo diz que Messias nascerá de pais humanos, com atributos físicos normais, como qualquer outra pessoa. Não será um semi-deus, e não possuirá qualidades sobrenaturais. De fato, em cada geração vive um indivíduo com a capacidade de tornar-se o Messias. (veja Maimônides - Leis dos Reis 11:3).

c - Um intermediário para a oração?
É uma idéia básica na crença cristã que a prece deve ser dirigida através de um intermediário - i.e., confessando-se os pecados a um padre. O próprio Jesus é um intermediário, pois disse: "Nenhum homem chega ao Pai a não ser através de mim."
No Judaísmo, a prece é assunto totalmente particular, entre cada pessoa e D'us. A Torá diz: "D'us está perto de todos que clamam por Ele" (Tehilim 145:18). Além disso, os Dez Mandamentos declaram: "Não terá outros deuses DIANTE DE MIM," significando que é proibido colocar um mediador entre D'us e o homem. (veja Maimônides - Leis da Idolatria cap. 1).

d - Envolvimento no mundo físico
O Cristianismo freqüentemente trata o mundo físico como um mal a ser evitado. Maria, a mais sagrada mulher cristã, é retratada como uma virgem. Padres e freiras são celibatários. E os mosteiros estão em locais remotos e segregados.
Em contraste, o Judaísmo acredita que D'us criou o mundo físico não para nos frustrar, mas para nosso prazer. A espiritualidade judaica vem através do envolvimento no mundo físico de maneira tal que ascenda e eleve. O sexo no contexto apropriado é um dos atos mais sagrados que podemos realizar.
O Talmud diz que se uma pessoa tem a oportunidade de saborear uma nova fruta e recusa-se a fazê-lo, terá de prestar contas por isso no Mundo Vindouro. As escolas rabínicas ensinam como viver entre o alvoroço da atividade comercial. Os judeus não se afastam da vida, elevam-na.



3. JESUS NÃO PERSONIFICA AS QUALIFICAÇÕES PESSOAIS DO MESSIAS
a - Messias como profeta
Jesus não foi um profeta. A profecia apenas pode existir em Israel quando a terra for habitada por uma maioridade de judeus. Durante o tempo de Ezra (cerca de 300 AEC), a maioria dos judeus recusou-se a mudar da Babilônia para Israel, e assim a profecia terminou com a morte dos três últimos profetas - Chagai, Zecharyá e Malachi.
Jesus apareceu em cena aproximadamente 350 anos após a profecia ter terminado.

b - Descendente de David
O Messias deve ser descendente do Rei David pelo lado paterno (veja Bereshit 49:10 e Yeshayáhu 11:1). Segundo a reivindicação cristã que Jesus era filho de uma virgem, não tinha pai - e dessa maneira não poderia ter cumprido o requerimento messiânico de ser descendente do Rei David pelo lado paterno!

c - Observância da Torá
O Messias levará o povo judeu à completa observância da Torá. A Torá declara que todas as mitsvot permanecem para sempre, e quem quer que altere a Torá é imediatamente identificado como um falso profeta. (Devarim 13:1-4).
No decorrer de todo o Novo Testamento, Jesus contradiz a Torá e declara que seus mandamentos não se aplicam mais. (veja João 1:45 e 9:16, Atos 3:22 e 7:37).



4. VERSÍCULOS BÍBLICOS "REFERINDO-SE" A JESUS SÃO TRADUÇÕES INCORRETAS
Os versículos bíblicos apenas podem ser entendidos estudando-se o texto original em hebraico - que revela muitas discrepâncias na tradução cristã.

a - Nascimento virgem
A idéia cristã de um nascimento virgem é extraído de um versículo em Yeshayáhu descrevendo uma "alma" que dá à luz. A palavra "alma" sempre significou uma mulher jovem, mas os teólogos cristãos séculos mais tarde traduziram-na como "virgem". Isto relaciona o nascimento de Jesus com a idéia pagã do primeiro século, de mortais sendo impregnados por deuses.

b - Crucifixão
O versículo em Tehilim 22:17 afirma: "Como um leão, eles estão em minhas mãos e pés." A palavra hebraica ka'ari (como um leão) é gramaticalmente semelhante à palavra "ferir muito". Dessa maneira o Cristianismo lê o versículo como uma referência à crucifixão: "Eles furaram minhas mãos e pés."

c - Servo sofredor
Os cristãos afirmam que Yeshayáhu (Isaías) 53 refere-se a Jesus. Na verdade, Yeshayáhu 53 segue diretamente o tema do capítulo 52, descrevendo o exílio e a redenção do povo judeu. As profecias são escritas na forma singular porque os judeus (Israel) são considerados como sendo uma unidade. A Torá está repleta de exemplos de referências à nação judaica com um pronome singular.
Ironicamente, as profecias de perseguição de Yeshayáhu referem-se em parte ao século 11, quando os judeus foram torturados e mortos pelas Cruzadas, que agiram em nome de Jesus.
De onde provêm estas traduções erradas? S. Gregório, Bispo de Nanianzus no século IV, escreveu: "Um certo jargão é necessário para se impor ao povo. Quantos menos compreenderem, mais admirarão."



5. A CRENÇA JUDAICA É BASEADA NA REVELAÇÃO NACIONAL
Das 15.000 religiões na História Humana, apenas o Judaísmo baseia sua crença na revelação nacional - i.e., D'us falando a toda a nação. Se D'us está para iniciar uma religião, faz sentido que Ele falará a todos, não apenas a uma pessoa.
O Judaísmo,é a única entre todas as grandes religiões do mundo que não confia em "reivindicações de milagres" como base para estabelecer uma religião. De fato, a Torá afirma que D'us às vezes concede o poder de "milagres" a charlatães, para testar a lealdade judaica à Torá (Devarim 13:4).

Maimônides declara (Fundações da Torá, cap. 8):
"Os Judeus não creram em Moshê (Moisés), nosso mestre, por causa dos milagres que realizou. Sempre que a crença de alguém baseia-se na contemplação de milagres, tem dúvidas remanescentes, porque é possível que os milagres tenham sido realizados através de mágica ou feitiçaria. Todos os milagres realizados por Moshê no deserto aconteceram porque eram necessários, e não como prova de sua profecia.
"Qual era então a base da crença judaica? A revelação no Monte Sinai, que vimos com nossos próprios olhos e ouvimos com nossos ouvidos, não dependendo do testemunho de outros... como está escrito: 'Face a face, D'us falou com vocês...' A Torá também declara: 'D'us não fez esta aliança com nossos pais, mas conosco - que hoje estamos todos aqui, vivos.' (Devarim 5:3)."
O Judaísmo não são os milagres. É o testemunho da experiência pessoal de todo homem, mulher e criança.



6. JUDEUS E GENTIOS
O Judaísmo não exige que todos se convertam à religião. A Torá de Moshê é uma verdade para toda a Humanidade, seja judia ou não. O Rei Salomão pediu a D'us para considerar as preces de não-judeus que vão ao Templo Sagrado (Reis I, 8:41-43). O profeta Yeshayáhu refere-se ao Templo Sagrado como uma "Casa para todas as nações." O serviço no Templo durante Sucot realizava 70 oferendas de touros, correspondendo às 70 nações do mundo. De fato, o Talmud diz que se os Romanos tivessem percebido quantos benefícios estavam conseguindo do Templo, jamais o teriam destruído.
Os judeus nunca buscaram ativamente converter as pessoas ao Judaísmo, porque a Torá prescreve um caminho correto para que os gentios o sigam, conhecido como "As Sete Leis de Nôach." Maimônides explica que qualquer ser humano que observe fielmente estas leis morais básicas recebe um lugar apropriado no céu.

Para um estudo mais completo sobre as Sete leis de Nôach clique aqui.



7. TRAZENDO O MESSIAS
De fato, o mundo está desesperadamente necessitado da Redenção Messiânica. A guerra e a poluição ameaçam nosso planeta; o ego e a confusão estão erodindo a vida familiar. Na mesma extensão em que estamos conscientes dos problemas da sociedade, é a extensão em que ansiamos pela Redenção. Como declara o Talmud, uma das primeiras perguntas que um judeu recebe no Dia do Julgamento é: "Você ansiou pela vinda do Messias?"
Como podemos apressar a vinda de Mashiach? A melhor maneira é amar generosamente toda a humanidade, cumprir as mitsvot da Torá (da melhor maneira que pudermos) e encorajar outros para que as cumpram também.
O Mashiach pode chegar a qualquer momento e tudo depende de nossas ações. D'us estará pronto quando estivermos. Pois, como disse o Rei David: "A Redenção chegará hoje - se derem atenção à Sua voz."

JUDEUS : CULPADOS OU NÃO ?

Papa inocenta judeus pela morte de Jesus

Estudiosos judaicos disseram que o argumento desenvolvido pelo papa alemão é significativo
02.03.2011| 11:45
O pontífice apela para uma análise bíblica e teológica para explicar por qual motivo não tem fundamento a afirmação (Foto:AFP) O pontífice apela para uma análise bíblica e teológica para explicar por qual motivo não tem fundamento a afirmação (Foto:AFP)
O papa Bento XVI desenvolveu uma das questões mais controversas e críticas da cristandade em um novo livro, no qual não culpa o povo judeu pela morte de Jesus Cristo.
 
Em "Jesus de Nazaré", livro que teve alguns trechos divulgados nesta quarta-feira, 2, o pontífice apela para uma análise bíblica e teológica para explicar por qual motivo não tem fundamento a afirmação de que os judeus foram responsáveis pela morte de Jesus.

Interpretações contrárias foram usadas durante séculos para justificar a perseguição aos judeus. Ainda que o Vaticano já tivesse adotado a conclusão de Bento XVI há muito tempo, estudiosos judaicos disseram que o argumento desenvolvido pelo papa alemão é significativo e contribuirá para o combate ao antissemitismo.
 

O EVANGELHO APÓCRIFO DE JUDAS ISCARIOTES

Evangelho de Judas







Página do Códice Tchacos com o Evangelho de Judas
 
 
 
 
O Evangelho de Judas é um evangelho apócrifo, atribuído a autores gnósticos nos meados do século II, composto de 26 páginas de papiro escrito em copta dialectal que revela as relações de Judas com Jesus Cristo sob uma outra perspectiva: Judas não teria traído Jesus, e sim, atendido a um pedido deste ao denunciá-lo aos romanos.
Desaparecido por quase 1700 anos, a única cópia conhecida do documento foi publicada em 6 de abril de 2006 pela revista National Geographic. O manuscrito, autentificado como datando do século III ou IV (220 a 340 D.C.), é uma cópia de uma versão mais antiga redigida em grego. Contrariamente à versão dos quatro Evangelhos oficiais, este texto clama que Judas era o discípulo mais fiel a Jesus, e aquele que mais compreendia os seus ensinamentos. O seu conteúdo consiste basicamente em ensinamentos de Jesus para Judas, apresentando informações sobre uma estrutura hierárquica de seres angelicais e uma outra versão para a criação do universo.

 

Descoberta

O documento, com bordas em couro, foi descoberto nos anos 1970 no deserto egípcio, perto de El Minya. Ele circulou em seguida entre os comerciantes de antigüidades para se encontrar primeiro na Europa e depois nos Estados Unidos, onde permaneceu em um cofre de um banco em Long Island (Nova York) durante 16 anos, antes de ser comprado em 2000 pela antiquária grega Frieda Nussberger-Tchacos.

 

Restauração e tradução

Inquieta com a deterioração do manuscrito, Frieda confiou-o à fundação suíça Maecenas em fevereiro de 2001, a fim de preservá-lo e traduzi-lo. Após a restauração do documento, o trabalho de análise e tradução foi confiado a uma equipe de coptólogos dirigida pelo professor Rodolphe Kasser, especialista em manuscritos, da Universidade de Genebra. Kasser disse jamais ter visto um manuscrito em um estado tão ruim: páginas faltavam, o topo das páginas, onde ficavam os números, estava rasgado, e havia quase mil fragmentos de papiro. Para reconstituir, segundo ele, o "quebra-cabeças mais complexo jamais criado pela história", o professor Kasser foi auxiliado pela restauradora de papiros Florence Darbre e pelo especialista em copta dialectal Gregor Wurst, da Universidade de Augsburg (Alemanha). O documento, chamado "Códice Tchacos", será devolvido ao Egito e conservado no Museu Copta do Cairo.
Mario Jean Roberty, director da Fundação Maecenas com sede na Basiléia, garante que com os resultados dos testes realizados no documento pode-se afirmar, sem dar margem a dúvidas, que o texto foi transcrito entre o século III e o século IV.



Tu sacrificarás o homem que me revestiu

O Beijo de Judas em pintura anônima do século XII. Segundo o Evangelho de Judas o beijo não foi uma traição.
 
 
 
 
 
O trecho-chave do documento é atribuído a Jesus, dizendo a Judas: "Tu vais ultrapassar todos. Tu sacrificarás o homem que me revestiu". Segundo o pensamento gnóstico, esta frase significaria que com a delação Judas estaria contribuindo para que Jesus Cristo pudesse libertar o seu espírito, livrando-se de seu invólucro carnal, o corpo.
"Essa descoberta espectacular de um texto antigo, não-bíblico, considerada por alguns especialistas como um dos mais importantes jamais descobertos nos últimos 60 anos, estende nosso conhecimento da história e das diferentes opiniões teológicas do início da era cristã", esclarece Terry Garcia, um dos responsáveis da revista estado-unidense National Geographic. Presume-se que o original, provavelmente escrito em grego, seja datado do início do século II.
A existência do Evangelho de Judas havia sido atestada pelo primeiro bispo de Lyon, São Irineu, que o denunciou em um texto contra as heresias na metade do século II. O bispo teria explicado neste documento que, segundo a sua opinião, nos tempos dos apóstolos aconteceram diversas tentativas de se espalhar o erro e perturbar a união dos cristãos, e que alguns faziam-se passar por convertidos, exclusivamente para disseminar doutrinas contrárias a da Fé Apostólica.
Irineu também comentou a existência de uma seita gnóstica chamada de Cainitas, cuja crença era baseada no princípio que o mundo material é imperfeito, tendo sido criado não por um Deus Supremo e sim por uma inteligência criadora inferior a este. Além de Irineu, Epifânio, bispo de Salamina, também argumentou sobre a existência desse manuscrito no ano de 375 dc.
Elaine Pagels, professora de Religião na Universidade de Princeton e uma das grandes especialistas mundiais sobre os Evangelhos gnósticos, considera que "a descoberta surpreendente do Evangelho de Judas, bem como daqueles de Maria Madalena e de diversos outros documentos dissimulados durante quase 2000 anos, modifica nossa compreensão dos primórdios do cristianismo. Essas descobertas erradicam o mito de uma religião monolítica e mostram o quanto o movimento cristão era realmente diversificado e fascinante no seu início".


Exposições e documentários

 

 

A National Geographic consagra um longo artigo no seu número de maio de 2006 e inaugurou uma exposição dia 7 de abril de 2006 na sua sede em Washington, DC, onde o público pode contemplar as páginas do manuscrito. A revista, em colaboração com a Fundação Maecenas, apresentou também nos EUA e na Europa um documentário de duas horas no seu canal de TV a cabo dia 9 de abril de 2006.
O manuscrito foi traduzido em inglês, alemão e francês, e também é o tema de dois livros.